RESENHAS

•Dezembro 1, 2009 • 1 Comentário

CONVERGE – AXE TO FALL

Axe To Fall chega à história de quase 20 anos do Converge com a missão de manter a moral que a banda tem de possuir uma discografia que varia entre bons e excelentes discos. E logo após uma primeira audição do disco já se pode afirmar que a missão foi cumprida.
Não se encontram aqui muitas novidades, a não ser umas passagens mais metálicas aqui e ali, mas quando se está falando de Converge, a originalidade já vem por si só. Em Axe to Fall, a banda de Boston (EUA) mantém todos os elementos presentes em clássicos anteriores como o Jane Doe, de 2001. Estão lá a velocidade, peso, agressividade e agonia sempre presentes no som da banda . Tudo envolto no maravilhoso clima caótico e desesperado proporcionado pelos cortantes e complexos riffs de guitarra e  berros que só se encontram nas músicas do Converge e, em escala menor, nas bandas que foram influenciadas por eles. Estão presentes também as passagens mais vagarosas e densas, quando se tem a impressão de que algo está desmoronando. As duas últimas faixas, Cruel Bloom e Wretched World são praticamente compostas por essas  passagens, o que lhes dá um aspecto negativo de faixas-bônus. Talvez se estas fossem inseridas entre as músicas mais velozes do álbum fossem melhor aproveitadas.
Axe to Fall todo é uma pedrada, com toda certeza mostra um Converge evoluído e com capacidade para, a essa altura, ainda fazer um dos melhores discos de sua carreira, sem perder a essência de sua música. Os destaques ficam por conta de Wishing Well, Reap What You Sow e seu solo na medida, e a destruidora Cutter.
Pra completar, o disco ainda conta com uma bela arte gráfica na capa (como já de costume nos trabalhos do Converge), participações de integrantes de bandas como Neurosis e Genghis Tron e ainda foi lançada uma edição especial em vinil azul. Fica então a remota esperança de que a turnê de Axe to Fall chegue a terras brasileiras.

Videoclipe da faixa-título

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VINHETAS

•Outubro 29, 2009 • Deixe um Comentário
  • 1º de novembro é a data em que chega às ruas o aguardado EP do MC Projota, Carta aos Meus.
  • Confira o recém-lançado e divertido videoclipe da sensacional banda de metal baiana, Yun Fat, He Wants A Bullet Between His Eyes:
  • E por falar em metal de qualidade, o estúpido Between The Buried And Me está com disco novo. The Great Misdirect é o nome da pérola que, já que vai ser muito difícil você do Brasil achar para comprar, baixe aqui e agora!
  • Do rap curitibano, Nathy MC anuncia seu primeiro disco, que contará com as participações rimadas de Lurdes daLuz, Emicida e Ogi. A faixa com o mc do Contra Fluxo você já pode conferir no myspace da MC. Entre os produtores das 11 faixas do disco, nomes como Munhoz e DJ Caíque.
  • Mais rap do bom feito por vozes femininas, Lurdes da Luz, do Mamelo Sound System, está preparando disco solo e você já pode ouvir aqui duas ótimas faixas que estarão presentes nesse material, participações de Jorge Du Peixe (Nação Zumbi) e Stefanie (Simples). Vale muito a pena checar e aguardar pelo disco cheio!
  • Está disponível na rede a mixtape Sistema de Som Perambulante, do soundsystem baiano, Ministereo Público, que já é referência no país quando se fala de música jamaicana de qualidade. BAIXE!

O QUADRO – Na fé e no flow

•Outubro 21, 2009 • 3 comentários
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A Praça Tereza Batista, no Pelourinho, em Salvador, foi palco no dia 17 de outubro de mais uma celebração para o rap baiano. Diretamente da cidade de Ilhéus, a banda O Quadro convidou o MC Daganja, Buguinha Dub (Recife-PE) e o grupo Versu2, que fez as boas vindas ao público naquela noite.

Como vem sendo de costume em suas apresentações, a Versu2 recebia o público que ia ocupando as aomodações da praça com sua energia ímpar.

Como de costume em suas apresentações, a Versu2 emanava do palco sua energia ímpar para o público que gradualmente ia chegando às acomodações da praça.

Como poucos, a Versu2 consegue unir rap bem feito, interação com o público e um contagiante clima de interação e descontração entre os integrantes do grupo.

Como poucos, a Versu2 consegue unir rap bem feito, interação com o público e um contagiante clima de interação e descontração entre os integrantes do grupo.

Ainda houve espaço para a participação dos MC's do grupo Otra Vidda, que dividiram o mic com Blequimobiu, antes da Versu2 encerrar sua apresentação com o hit Pra fazer o que gosta, dono de uma base irresistível.

Ainda houve espaço para a participação dos MC's do grupo Otra Vidda, que dividiram o mic com Blequimobiu, antes da Versu2 encerrar sua apresentação com o hit Pra fazer o que gosta, dono de uma base irresistível.

E então os olharese ouvidos se voltam para o outro lado da Tereza Batista, onde Buguinha Dub já largava suas pedradas sonoras e saudações positivas aos presentes. "Jahmarraparai!"

E então os olhares e ouvidos se voltam para o outro lado da Tereza Batista, onde Buguinha Dub já largava suas pedradas sonoras e saudações positivas aos presentes. "Jahmarraparai!"

De volta ao palco, onde o MC Daganja e seu bonde (dessa vez ainda maior, com banda e até uma low bike), já estavam presentes.

De volta ao palco, o MC Daganja e seu bonde (dessa vez ainda maior, com banda e até a presença de uma low bike) já estavam presentes.

E foi aos sons da bela e emocionante, Vida, que Daganja deu início ao seu grande show.

E foi aos sons da bela e emocionante, Vida, que Daganja deu início ao seu grande show, seguindo com músicas presentes no seu disco, Entre Versos e Prosas.

Algumas destas, com uma sonoridade um pouco diferente, devido à presença dos instrumentos da banda que acompanhava o MC.

Algumas destas, com uma sonoridade um pouco diferente, devido à presença dos instrumentistas que acompanhavam o MC.

Como sempre, acompanhado pela dupla Vitrola 71 nas pickups, Daganja abriu espaço para os DJs mostrarem um pouco do muito que sabem nos toca-discos e ainda mandou um som na levada de funk carioca...

Como sempre, acompanhado pela dupla Vitrola 71 nas pickups, Daganja abriu espaço para os DJs mostrarem um pouco do muito que sabem nos toca-discos e ainda mandou um som na levada de funk carioca.

Entre as participações, os MC's Finado e Dimak (foto), que vem se revelando um dos bons nomes do rap soteropolitano.

Entre as participações, os MC's Fall, Finado e Dimak (foto), que vem se revelando um dos bons nomes do rap soteropolitano.

Novamente Buguinha Dub volta ao comando. Dessa vez, contou também com a ajuda de MC's do Ministereo Público que ajudaram a manter o público aquecido para o show seguinte.

Novamente Buguinha Dub volta ao comando. Dessa vez, contou também com a ajuda de MC's do Ministereo Público, que ajudaram a manter o público aquecido para o show seguinte.

Diretamente de Ilhéus, O Qaudro volta à capital baiana em grande estilo.

De Ilhéus, a banda O Quadro volta à capital baiana em grande estilo.

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O talento permeia os microfones e instrumentos da banda que, indo além do rap, é um dos grandes nomes da nova música brasileira.

Instrumental rico, que passeia por elementos do funk, rock e soul...

Instrumental rico, que passeia por elementos do funk, rock e soul...

...fazendo a base para as rimas engajadas e inteligentes dos MC's Jeff, Hanz e Freeza.

...fazem a base para as rimas engajadas e inteligentes dos MC's Jeff, Hanz e Freeza.

Ficamos na torcida de que a banda lance logo um disco com as músicas que apresentaram ao vivo.

Ficamos na torcida de que a banda lance logo um disco com as músicas que apresentaram ao vivo.

Material de qualidade O Quadro já tem, esse show foi mais uma prova disso.

Material de qualidade para isso O Quadro já tem e esse show foi mais uma prova.

VINHETAS

•Setembro 22, 2009 • 1 Comentário
  • O talentoso MC carioca, Funkero, lançou clipe da música Selva Urbana, onde divide os microfones com Pai Lua (Subsolo, ex-Quinto Andar), na ótima base de Iky Castilho. Confira o vídeo:
  • Outro clipe rap lançado recentemente e com alto nível de qualidade é o da música Sol, de Slim Rimografia. Seguindo bem o clima da música, o vídeo conta com belas imagens e boa edição. Veja você mesmo:
  • Para você que gosta de thrash metal/crossover do bom, boa notícia: Municipal Waste no Brasil em março de 2010.
  • Mais clipe novo. Dessa vez o som é punk rock harcore e o sotaque é do Alto José do Pinho, em Recife. Devotos, Luta Pacifista. Clipe retirado do show de comemoração dos 20 anos da banda, onde se pode ter uma idéia da energia do público local:

Salvador Acontece

•Setembro 15, 2009 • 1 Comentário
  • Para felicidade dos apreciadores de boa música residentes ou de passagem pela capital baiana, muita coisa vai acontecer no próximos dias. Confere:
EMICIDA em Salvador, na primeira edição da GuettoStar, nesta sexta

EMICIDA em Salvador, na primeira edição da GuettoStar, nesta sexta

– Um dia antes, na Quinta Dancehall Especial, Bnegão SoundSystem (RJ) e Ministereo Público, na Zauber, 21h. R$15 para os homens, R$10 para as mulheres.

– No domingo, dia 20, tem Retrofoguetes no Parque da Cidade, às 11h, de graça!

– Ainda no domingo, algumas horas depois:

Festival Virgem

Festival Virgem, em Camaçari

– Dia 24, mais Quinta Dancehall, dessa vez com o Ministereo Público lançando o CD, Sistema de Som Perambulante.

– Sexta feira, 25, é dia de Nancy e os Nunca Vistos, Arrigo Barnabé, Jards Macalé e Mariela Santiago, na Praça Tereza Batista Pelourinho.

– Dia 26 tem show de Céu (SP), na Concha Acústica e Coléra (SP) mais diversas bandas locais, na cidade de Simões Filho.

– Em setembro ainda tem o rapper GOG, de Brasília, e o grupo local, Opanijé, no Snkofa African Bar, Pelourinho. Data a confirmar.

– Outubro começa com esse aqui:

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Shows do MC Gasper (GO), Otra Vidda e Versu2, 10 de outubro

– Segue com esse:

Lançamento do cd, Pacheco, da banda Jonas, com as bandas Zander (RJ) e Rótulo (SE)

Lançamento do cd, Pacheco, da Jonas, com as bandas Zander (RJ) e Rótulo (SE)

– E, no dia seguinte, 17-10, tem Lumpen, Hoje Você Morre, Rancor e mais bandas, no Grind Hardcore Night, na Praça do Reggae, Pelourinho.

Ainda no dia 17-10 e ainda no Pelô, você sobe um pouco mais suas famosas ladeiras e, na Praça Tereza Batista, estará acontecendo as apresentações  dos três melhores nomes do rap baiano atual, na opinião do PONTE: Daganja, O Quadro e Versu2, além do recifense Buguinha Dub.

Nos dias 23, 24 e 25 de outubro, acontece o aguardado Festival Big Bands, também na Tereza Batista. Nomes como Black Drawing Chalks (GO), Frank Jorge(RS) e Yun Fat estão na programação do festival, que ainda terá entrada gratuita.

– Em novembro ainda acontece a reunião de alguns dos melhores nomes do reggae contemporâneo, como S.O.J.A. (EUA), Ponto de Equilíbro (RJ), Edson Gomes e Mato Seco (SP), num mesmo festival.

Entrevista – MC MARECHAL

•Agosto 23, 2009 • 1 Comentário
MC Marechal

MC Marechal

Recentemente, o MC Marechal integrou a Um Só Caminho Tour 2009, mini-turnê que passou pelas cidades baianas de Vitória da Conquista, Ilhéus e Salvador. Nesta última, tivemos a oportunidade de conversar com o MC, que é dono de um dos trabalhos mais sólidos do rap contemporâneo, sem nem mesmo ainda ter lançado um disco. A matéria que você lê abaixo é resultado dessa conversa e de respostas enviadas por email, onde o MC fala sobre temas como a filosofia Um Só Caminho, Batalha do Conhecimento e o seu tão aguardado primeiro disco.

Em ação em Salvador

Em ação em Salvador

UM SÓ CAMINHO TOUR 2009

Foi bem simples. Tava desenrolando a idéia com o Rangel (Blequimobiu/Versu2), pela internet, e a gente falou “vamo fazer essa parada?”, “vambora”. Aí, o Rangel se articulou por aqui, contatou as pessoas, chamou o Robson (Lumpen/Arterisco) também, que entrou na parada. Foi basicamente o Rangel que botou a cara, quando ele falou “vamo?”, eu falei “comprei a passagem”, aí ele “agora não tem mais como correr”. Está sendo exatamente o esperado, várias pessoas se unindo, se conhecendo melhor e fazendo honestamente um trabalho maneiro pra caramba. Acredito que todo mundo esteja feliz com isso, a gente passou por todas as cidades e o pensamento não foi nenhum momento de grana, foi de fazer a parada. A gente está plantando, fazendo um trabalho honesto, da melhor forma possível e com a intenção de propagar a mensagem.

FILOSOFIA “UM SÓ CAMINHO…”

Não é algo que partiu de mim, o que partiu de mim foi a frase. A filosofia partiu do meu ambiente, as pessoas que eu convivo, das pessoas que fizeram a gente adaptar o nosso sentimento para essa frase, como se fosse algo que sintetizasse o que estamos sentindo. É uma filosofia de vida que a gente leva. A gente faz a parada no intuito de propagar a mensagem, mas não é uma coisa panfletária, não é tipo… “seja Um Só Caminho”. Jamais. É o que a gente faz, só estamos representando o que a gente faz. Se você se identifica, legal. Mas se você não identifica, legal também, porque isso faz parte da filosofia: a gente respeitar todo tipo de opinião que existe.


APROXIMAÇÃO DE GRANDES EMPRESAS AO RAP

Eu tenho a intenção de fazermos uma grande empresa por nós mesmos.


COMEÇO NO RAP

O que me fez começar a fazer foi basicamente a identificação com a música. Foi a partir do basquete, que eu sempre joguei e eu via os vídeos na intenção de estudar e a maioria desses vídeos eram americanos e já tinham essa coisa do rap. Depois, quando eu ouvi o nacional, como Gabriel O Pensador, GOG, Racionais MC’s, esses caras me passaram uma idéia de que essa música era de mensagem. Eu já sabia que era de mensagem a partir do Public Enemy também, mas ainda não tinha uma referência nacional. Depois que eu ouvi esses nomes é que me deu uma visão maior da coisa. Eu era muito novo, tinha doze anos e já me identificava. Ainda não tinha a consciência plena de fazer, mas já tinha começado a fazer, até antes de ouvir os nacionais já tinha riscado alguma coisa. Estamos nos aperfeiçoando até hoje. Já tem 15 anos desde o primeiro rap que eu escrevi e acho que esses 15 anos foram base pra eu poder executar meu primeiro trabalho agora que vai vir. Eu espero que seja uma coisa que mostre honestamente o que é uma batalha em cima disso. Eu realmente vivo disso e muitas pessoas sonham em viver disso. Pra mim, isso é uma responsabilidade e ao mesmo tempo passar para as pessoaa que é possível, mas também passar que às vezes você se sacrifica mais que em qualquer trabalho do mundo.


Espírito Independente, vídeo extraído do DVD L.A.P.A.


O DISCO

Está sendo feito, as gravações já estão acontecendo. Algumas participações já gravaram, como Emicida, Donatinho (filho do João Donato), Carlos Dafé, Felipe Mendonça (baixista), Felipe Binô, que hoje toca no Cirque du Soleil, Cacau Gomes, Luiz Café, Damien Seth, o Xará tem batida. Já está tudo sendo feito, eu preciso entender mais a situação do estúdio, me adaptar mesmo. Por isso que a gente está estudando bastante, pra tentar tirar o melhor que a gente pode tirar de um estúdio, que eu acho que nunca vai ser igual a ao vivo, mas a gente está tentando tirar o melhor.


APROXIMAÇÂO DO RAP COM OUTROS ESTILOS MUSICAIS

Eu gosto muito da troca de informação musical. Todos nós compreendemos
de forma particular a emoção de um instrumento, as maneiras deles
serem usados são inúmeras e sempre surpreendentes. O que eu amo na
música é essa vida, a renovação com respeito à tradição. Desenvolvo muitos trabalhos dessa forma, com grupos de Jazz, Soul, Samba… Como por exemplo, Donatinho, Orquestra Imperial, Paraphernália, Claudemir, Leandro Sapucahy e muitos outros. Espero poder estar sempre aprendendo com esses mestres e também passando adiante.
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PRODUÇÃO MUSICAL

Eu amo produção e, juntamente com meu irmão Luiz Café, estamos fazendo nossa parada, devagarzinho… Espero também poder lançar um selo no futuro.


ESPAÇO CIC e BATALHA DO CONHECIMENTO

O CIC (Centro Interativo de Circo, no Rio de Janeiro) é um Ponto de Cultura. Não fiz parte do surgimento mas vi surgir. Eles sempre desenvolveram projetos para auxílio de jovens e me identifico muito com isso. Meu envolvimento começou quando o Gerar
propôs de eu fazer um projeto por lá. Na época, eu pedi um tempo
para pensar e depois de um ano voltei com a idéia da Batalha do
Conhecimento. Esse projeto é parte muito grande da minha vida. Me
dedico tanto quanto na música e acredito que esse ano estaremos mais
presente nos lugares com as exibições de Filmes, debates, batalhas
que valorizam a criatividade e reuniões de pessoas para troca de
idéias com temas e conteúdo relacionado ao cotidiano. Não quero
adiantar tanto por aqui, pois na sincera não depende só de mim, é uma
produção complexa. Se eu conseguir confirmar tudo terei muito
prazer em novamente falar sobre isso já com tudo no esquema, pois
não estamos mais com a Batalha do Conhecimento no CIC. No momento estamos itinerantes e a intenção é fazer o projeto chegar a rodar o Brasil.

Veja no Bocada Forte mais fotos do show em Salvador

Veja entrevista com Marechal e Blequimobiu, onde abordam a tour Um Só Caminho…

Acesse o fotolog do MC Marechal

Acesse o myspace do MC

RESENHAS

•Agosto 16, 2009 • 2 comentários

gutierrez GUTIÉRREZ & DAMIEN SETH – Corpo Fechado Mixtape

Após longa espera, finalmente chega às ruas a mixtape Corpo Fechado, do MC Gutiérrez em parceria com o produtor Damien Seth. A demora do lançamento é logo esquecida numa primeira audição do material, pois a atenção se volta completamente para o alto nível de qualidade e peso alcançado pela dupla nesse trabalho.

Dono de timbre e levada sinistros e inconfundíveis, Gutiérrez continua seguindo a vertente mais pesada do rap, que o tornou conhecido no meio com o disco promo, Esse é meu Reino. Em Corpo Fechado, porém, você percebe a evolução do MC carioca, tanto na escolha das bases muito bem produzidas (a maioria pelo próprio Damien Seth), quanto na forma com que manda suas rimas ao microfone. Nas letras, temáticas das ruas presentes sem arrodeios,  de uma forma que, de tão direta, pode causar incômodo a ouvidos mais desavisados. Mas não confunda essa característica com a limitação que se vê por aí em vários rappers que seguem essa linha. Gutiérrez consegue falar de crime, baile funk, sexo e desigualdades urbanas de uma forma que te faz, no mínimo, respeitá-lo diante de seu talento. Referências de outros músicos, cinema e literatura também são presentes em seus versos.

Entre os destaques da mixtape está a faixa-título, com a participação de Iky Castilho e Funkero. A sintonia desenvolvida entre esses três mc’s nessa música te faz querer ver um disco todo feito por eles juntos. Toda Madrugada é outra música que faz bem deixar no repeat. Conta com a boa contribuição cantada de Shackal, um refrão certeiro e a base dançante à qual os DJs deveriam estar atentos. Outra parceria que surpreende é a de Xará (Quinto Andar e Subsolo), rimando na faixa Quem tu é, junto com os versos em francês de Damien Seth ao microfone. Inevitável destacaar a produção fina do instrumental de Por Toda Noite, faixa que conta com linhas de baixo muito bem encaixadas e participação de Jacksom nas rimas. A polêmica Toca nas Pista também chama a atenção, pela base e pela letra sem receio de transbordar erotismo. Por falar em polêmica, também se encontra na mix o já clássico som Vai tomar no Cu Cabal, parceria com o MC Marechal, que ainda não havia sido registrada em disco.

Corpo Fechado firma o nome de Gutiérrez no cenário contemporâneo do rap nacional. Nas 20 faixas que compõem o material, o MC mostra seu talento e criatividade, sem medo de fazer diferente do convencional e assumindo suas ráizes, história, ideias e influências.